PROJETO BRASILEIRO – “LIFE BY THE SKIN”

Life by the Skin

O projeto brasileiro “Life by the Skin” surgiu no início de 2012 com o objetivo de mostrar um pouco mais desse universo por meio de fotografias. Com o passar do tempo, percebeu-se que, em pleno século XXI, a situação do preconceito contra essas pessoas ainda é muito evidente, fazendo surgir a ideia de criar um documentário. O vídeo contará com depoimentos e cenas do cotidiano de cada uma das pessoas, a fim de mostrar que ter uma tatuagem muda em nada o caráter de uma pessoa.

Devido à grande diversidade regional, o objetivo principal é de percorrer um itinerário que começou no Rio de Janeiro e seguirá pelas capitais dos estados de São Paulo, Paraná, Brasília, Amazonas, Maranhão e Bahia, retornando à primeira cidade da lista para finalizar, para, assim, ser possível ter uma visão diferente de cada localidade.

Ao percorrer essas cidades, serão feitas entrevistas com pessoas comuns e de estúdios de tatuagem, para que a visão do profissional também seja mostrada. Será feito um vídeo e algumas fotos de cada pessoa, mostrando a característica de cada um e seus gostos, cotidiano, um pouco de suas histórias e a relação com as tatuagens em si. Ao final, todo material recolhido fará parte do documentário, também intitulado “Life by the Skin”.

O projeto foi idealizado por Louyse Gerardo, fotógrafa profissional e publicitária formada, que tira sua inspiração de fotógrafos famosos como João Roberto Ripper, Yann Bertrand, entre outros. Ela começou a fotografar aos 11 anos de idade, mas fez disso sua profissão no começo da faculdade de Comunicação Social. Dona de uma visão peculiar do o mundo à sua volta, sua maneira de fotografar captura sempre uma sensibilidade diferenciada, criando uma característica pessoal, que também será vista no documentário.

Esse é um projeto totalmente independente e precisa de todo o apoio possível para ser realizado. É preciso que as pessoas tatuadas que residam nessas cidades estejam dispostas a dar depoimentos, contando suas histórias e o seu ponto de vista a respeito do tema e do preconceito que ainda o cerca, além de ajudar na divulgação do projeto para que ele possa ganhar força e fazer a sua parte contra o preconceito que ainda existe.

Essa iniciativa já contou com a colaboração de algumas pessoas do Rio de Janeiro. Agora faltam pessoas das outras cidades colaborarem com o projeto. Veja abaixo um teaser e algumas fotos do “Life by the Skin”.

Life by the SkinLife by the SkinLife by the SkinLife by the SkinLife by the Skin

Para participar, é bem simples! Entre em contato com Loyse pelo e-mail louysegerardo@hotmail.com.

Chegou a hora de levantar a sua voz e mostrar para o mundo que não deve haver discriminação contra pessoas com tatuagem!

O PRECONCEITO CONTRA PESSOAS TATUADAS EXISTE!

Lucas Viglio

Quase sempre tem uma nova mensagem polêmica envolvendo pessoas tatuadas, seja com histórias bizarras ou com algum político que diz asneira na internet e depois pede desculpas. A história deste post não é nada fora do comum, para falar a verdade, isto deve acontecer todos os dias com muitas pessoas, inclusive com vocês, leitores do blog.

Não posso me iludir e falar que o preconceito não existe, sim, ele existe e não é somente com pessoas tatuadas. O preconceito existe com qualquer tipo de estereótipo que seja diferente da sociedade brasileira. Para ser sincero, eu não gosto de escrever estas matérias, mas o motivo para escrevê-las, é justamente por conta que nos dias atuais as pessoas vem mudando, as pessoas vem lutando por causas, mesmo que sejam através do seu facebook ou assinaturas pela internet.

Lucas Viglio é um jovem tatuado de 21 anos que estava viajando de ônibus no dia 12 de fevereiro de 2013, entre as cidades de Araraquara par Rio Claro, ambas cidades são situadas no interior de São Paulo. Como relatou em sua postagem no facebook ele foi tratado de forma preconceituosa pelo motorista da empresa VB Transportes, responsável por fazer o trajeto entre as duas cidades.

Tudo começou quando Lucas, solicitou para o motorista guardar seus pertences no bagageiro do ônibus, neste instante, o rapaz esqueceu de entregar o bilhete (passagem de ônibus) e foi então que começou as “indiretas” do motorista José Vieira. Com um “assovio diferenciado”, digamos assim, aquele que as pessoas fazem para chamar a atenção, em seguida Lucas entregou o bilhete e pediu desculpas pelo descuido, então, José Vieira fez uma simples pergunta ao rapaz, “Você sabe o significado deste Assovio Diferenciado?“, a resposta de Lucas foi direta, sem muita enrolação foi de que pássaros se comunicam assim.

Não satisfeito, o motorista completou dizendo que quem se comunica deste jeito, são os presos, ou seja, bandidos. Acho que somente nesta frase temos muita coisa para refletir, principalmente, em saber como José Vieira sabe que este é o tipo de comunicação de bandidos, eu não sei, porque não sou um, não conheço nenhum bandido e muito menos como eles se comunicam, também sou uma pessoa tatuada e tenho tatuagens à amostra, por acaso, eu ou Lucas teríamos que saber como bandidos se comunicam? Ou que assovio é a forma de comunicação? Qual é a forma de comunicação? É tipo um, “e ae parceiro, estamos juntos nessa“, ou um “e aí, tá na minha área mermão“?

A atitude de Lucas no momento foi de “sobrevivência”, digamos assim, caso ele respondesse o motorista, com certeza, poderia ficar sem voltar para casa por algum tipo de lei, artigo ou qualquer merda que o país diz que é “calunia/desrespeito com o emprego” e bla,bla,bla. O engraçado é que nesta mesma viagem, Viglio presenciou novamente o preconceito de José Vieira com outra pessoa tatuada e com piercings, afirmando que pessoas com tatuagem estão ligadas ao demônio através de um pacto.

Eu nunca fui muito religioso, é um assunto que não me interessa muito, mas, venha cá, então todas as pessoas que tem tatuagem tem um pacto com o demônio? Isto seria uma forma de generalizar todas as pessoas que tem tatuagem com uma frase estúpida e de uma pessoa que talvez viva ainda na década de 20, ou antes disto né? Caso os administradores da empresa VB Transportes ou até mesmo o José Vieira leiam esta matéria, só um comunicado, nem toda pessoa com tatuagem tem pacto com demônio, não vou falar todas, porque não conheço todos, mas tenho certeza que deve ser uma minoria, se é que existe algo deste tipo, eu não duvido, mas deixo o recado.

Para finalizar esta infeliz história, ao final da viagem, Lucas foi até o motorista e respondeu: “Lembra que o senhor disse em Araraquara? Me chamando pelo assovio diferenciado? O senhor me conhece? Sabe se por acaso eu sou um ladrão ou algo do gênero?” e a resposta foi a mais óbvia possível, “Foi uma brincadeirinha“.

Jose Lopez - Tatuador

Amigo leitor, nunca aceite este tipo de desculpas, porque são por causas destas “desculpas” que a coisa vai piorando, até chegar o dia que você vai perder uma vaga de emprego porque tem tatuagem, como se tatuagem por algum motivo mudasse ou alterasse sua qualidade profissional. Como disse em outro post e vou repetir novamente, não é com desculpas que uma pessoa “se livra do preconceito”, só se acaba com isto, quando realmente a pessoa tiver conhecimento sobre a cultura, estilo de vida aprofundado, porque, você pode apostar, quando você conhece algo, você pode não gostar, mas você respeita, porque existem pessoas que gostam e seguem este estilo de vida, ou cultura.

E para os haters que sempre vem ao blog nestas postagens dizer “Fez tatuagem, está no grupo de pessoas tatuadas e precisa aguentar, tá na chuva é para se molhar“, não cara, eu não preciso aguentar preconceito de gente que não conheço, eu não fiz tatuagem para estar em um grupo, ou ser identificado, sabe por quê? Qualquer pessoa pode ter tatuagem, desde um executivo alto padrão, até um vendedor de loja, do cara que faz o pãozinho na padaria do João, até um empreendedor. Tatuagem não tem perfil, pessoas tatuadas não tem um perfil, a tatuagem é uma arte que representa muitas vezes situações das pessoas e ninguém, mas ninguém mesmo, tem o direito de julgar você, sem ou com tatuagem, ninguém tem o direito de fazer o que este motorista fez, independente se a pessoa tem tatuagem ou não, é com pessoas assim que quando eu estou numa fila de banco, todos ficam olhando para mim e fazendo “não, não, não” com a cabeça, são com pessoas assim, que muita gente para pessoas tatuadas e pergunta: “por que você fez isto com o seu corpo?”.

O corpo é meu, as tatuagens são minhas, as escolhas são minhas e ninguém tem nada a ver com isto, como muita gente vai odiar esta postagem, muita gente vai gostar, eu não vim agradar ninguém, vim reportar uma matéria de que preconceito existe, pode ser o mais comum, mas ele desenvolve e quando você vai ver, surge um novo “Hitler” por aí, ditando regras e falando quem deve morrer por seguir uma religião, ou ser de uma determinada etnia, parece ser extremo isto, mas aconteceu uma vez, por que não novamente?

Só para constar, Lucas Viglio está abrindo um processo contra a empresa.

Fonte: tattootatuagem.com.br

TATUAGENS DE CARPAS

Tatuagens de Carpa

Carpa por Robert McNeil – Blue Rose Studio

Um dos desenhos mais procurados e estampados na pele de quem curte a arte das tatuagens orientais é, nos dias de hoje, a carpa. Além das diversas cores, a tatuagem do animal carrega uma forte simbologia vinda das antigas lendas japonesas.

As lendas tratam a carpa como um animal diretamente ligado à força e perseverança – já que, para colocar seus ovos e perpetuar a espécie, precisavam subirem até a fonte do Rio Amarelo (Huang Ho), enfrentando a queda d’água de Longman Falls, ou Portão do Dragão, e ali se transformaram em dragões como forma de recompensa.

 

Escolhida tanto por homens como por mulheres, é retratada em diversas cores e posições. A carpa voltada para cima, por exemplo, significa os desejos e a força para lutar e alcançar os objetivos. Voltada para baixo simboliza os objetivos e sonhos que já foram realizados. Flores tatuadas junto às carpas simbolizam o caminho a seguir até os objetivos.

Suas cores variadas e toda a crença voltada para sua espécie fazem com que a carpa seja um dos principais peixes escolhidos quando o assunto é a decoração de lagos artificiais em jardins de todo o mundo. Com origem na China, no decorrer do tempo fez com que sofressem mutações genéticas que transformaram sua cor comum – cinza, prateado e dourado – em diversas outras cores. As carpas que sofrem essa mutação têm o nome de Nishigikoi (Koi com pedigree) e se dividem em três principais grupos de cores: o grupo Asagui (azul e vermelha), o Higoi (vermelha) e o Bekko (preta e branca).

A origem das carpas Nishigikoi ocorreu no Japão, na cidade de Niigata, no ano de 781. A mutação entre as carpas ocorreu espontaneamente e também com a ajuda dos criadores da região para alcançarem a mistura de cores e tamanhos.

A partir dessas mutações foi possível criar diversas “raças” de Nishigikoi. Prova disso é que, em 1830, havia somente os três grupos híbridos citados acima, enquanto em 1911 o número chegou a seis variedades e, em 1983, para 13 variedades definidas oficialmente. A título de curiosidade, as carpas Nishigikoi podem medir mais de 75 centímetros – normalmente estas são mais raras e encontradas em exposições pelo mundo. Abaixo você pode ver as 22 espécies catalogadas oficialmente até o ano atual de 2013.

Tatuagem de Carpa

O significado das tatuagens de carpas varia, ainda, de acordo com as suas cores. Abaixo, algumas das mais utilizadas:

Carpa azul e vermelha (Asagui): Escolhida tanto por homens como por mulheres, simboliza a masculinidade e a fertilidade.

Carpa vermelha (Higoi): A cor vermelha é uma das mais utilizadas, juntamente com laranja. A cor vibrante significa coragem e também simboliza o amor.

Carpa preta: Apesar de algumas pessoas ainda entenderem a cor como negativa, a carpa preta simboliza a força e o triunfo durante alguma época de mudanças difíceis.

A transmutação da carpa em dragão também aparece nas tatuagens, sendo incorporados aos desenhos traços de dragão, como bigodes, chifres ou mesmo a cabeça completa do dragão substituindo a da carpa. Também expressa um desejo alcançado, a realização.

Tatuagens de CarpaNa Yakuza

A carpa e todo seu simbolismo de superação e força não estão apenas na pele de quem já passou por adversidades e situações difíceis. Grupos como a famosa máfia japonesa Yakuza utilizam a carpa como símbolo que diferencia um membro de um grupo para outro. Ou mesmo o status de quem a possui também de acordo com a posição, cores e elementos de dragão.

Vale lembrar que os significados de tatuagem publicados são apenas referências, pois cada pessoa tem um significado próprio para sua tatuagem.

Fontes: Tattoo.net | Historiofobia | Tatuando.com

TATUAGEM ELETRÔNICA QUE MONITORA SEUS SINAIS VITAIS

Tatuagem eletrônica que monitora sinais vitais

O NetExplo, um dos principais fóruns de inovação tecnológica no mundo, foi realizado em 14 e 15 de fevereiro de 2013. E o grande destaque do evento ficou por conta de uma nova tecnologia que lembra bastante, se não completamente, a ideia daquelas tatuagens removíveis ou temporárias que ajudam a saúde.

A chinesa Nanshu Lu (foto abaixo), graduada em Engenharia e Ciências Aplicadas em Harvard, criou um dispositivo que, colado na pele, coleta informações de sinais vitais, como o seu batimento cardíaco, temperatura e até vibrações vocais, e envia tudo em tempo real para uma equipe médica.

Tatuagem Eletrônica que monitora seus sinais vitais

A parte mais legal de tudo isso, que fez a chinesa se destacar no fórum, é que o dispositivo ficou conhecido como “Tatuagem Eletrônica”. Como se fosse um adesivo, o chip é colado na pele e, com um pouco de água, ele se fixa em você! É quase imperceptível. Esse vídeo aqui mostra o projeto com mais detalhes e até uma alternativa com o chip “escondido” atrás de uma tatuagem removível. Olha só:

O dispositivo é flexível e confortável, permitindo que o paciente tenha uma vida normal, enquanto é monitorado para alguma eventual consulta médica.

E aí, será que um dia as tatuagens permanentes poderão ser usadas para o bem da ciência? Bom, enquanto esse dia não chega, podemos ir curtindo nossos rabiscos sem nada tecnológico por baixo delas!

Fonte: AE Texas

OLIVE OATMAN, A PRIMEIRA MULHER BRANCA TATUADA DOS E.U.A.

Olive Oatman

Olive Oatman nasceu em 1837 e é considerada a primeira mulher branca na história dos Estados Unidos a ter uma tatuagem: 5 listras azuis verticais e 4 pequenos traços horizontais em seu queixo. Ela também teve os braços tatuados, mas os mantinha cobertos, usando sempre vestidos de mangas compridas.

A história de Olive Oatman e de sua irmã mais nova, Mary Ann, parece saída de um filme western! De fato, o acontecimento deu origem a uma série de livros, romances, uma peça de teatro e, mais recentemente, um seriado contendo uma personagem inspirada em Oatman, lançado em 2011 e inédito no Brasil, intitulado “Hell on Wheels”. Eva, a personagem em questão, é interpretada pela atriz Robin McLeavy, na foto abaixo.

Olive Oatman

Robin McLeavy como Eva

Eu não conhecia a história dos Oatman e acredito que ela não seja famosa, a não ser entre os próprios norte-americanos. Além do mais, é preciso contextualizar as tatuagens e os motivos delas, então vale a pena contá-la aqui…

Em 1850, a família Oatman se juntou a uma viagem de carroças liderada por James C. Brewster, membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias que, após se desentender com o líder da igreja de Salt Lake City, no estado de Utah, decidiu viajar à Califórnia juntamente com seus seguidores, sob a justificativa de que lá era o “lugar onde estavam destinados a se reunir” os Mórmons. Saindo de Missouri a caminho de Santa Fé, desentendimentos fizeram com que o grupo de 52 pessoas se separasse: os seguidores de Brewster (chamados, por isso, de “brewsteristas”), rumaram para o norte, ao passo que Royce Oatman, pai de Olive, guiou as demais famílias por uma rota ao sul, pelas cidades de Socorro, Santa Cruz e Tucson. Chegando ao estado do Novo México em 1851, encontraram um ambiente inóspito, de clima nada conveniente e, ao longo do trajeto, as famílias foram aos poucos abandonando a viagem que objetivava chegar ao estado do Colorado.

Em Maricopa Wells, as famílias que pretendiam continuar a viagem foram alertadas de que, adiante, encontrariam índios muito cruéis e perversos e estariam arriscando suas vidas se decidissem prosseguir. As famílias decidiram ficar em Maricopa, à exceção dos Oatman, que seguiram sozinhos e foram atacados nas planícies do rio Gila, alguns quilômetros ao leste de Yuma, onde atualmente está o Arizona. O episódio ficou conhecido na história dos Estados Unidos como “o massacre Oatman” (“Oatman Massacre”): foram assassinados o casal Oatman (Royce e Mary) e quatro dos sete filhos; Lorenzo, na época com 15 anos, foi deixado para morrer, mas acabou sobrevivendo e, ao acordar, encontrou os corpos de seus familiares, mas nenhum sinal das irmãs Olive, na época com 13 anos e Mary Ann, com 7.

Lorenzo conseguiu encontrar um acampamento, no qual foi tratado, e, dias depois se juntou novamente aos emigrantes. Ao passar pelos corpos de sua família, teve ajuda dos companheiros de viagem para enterrá-los.

As duas garotas foram levadas, juntamente com diversos objetos saqueados da carroça de sua família, por índios Yavapais, que viviam num local a pouco mais de 160 quilômetros de onde haviam atacado os Oatman. A princípio, foram tratadas com rispidez pelos índios e usadas como escravas, tendo de empilhar comida, buscar água e lenha.

Passado um ano de cativeiro, índios Mohave (ou Mojave, que viviam no deserto de mesmo nome) ofereceram dois cavalos, alguns vegetais e cobertores em troca das duas garotas, que acabaram indo para a nova residência, próxima ao rio Colorado. O local onde se localizava a tribo é, hoje, a cidade de Needles, na Califórnia. (Para vocês não ficarem doidos com tantos nomes, eu marquei, no mapa abaixo, algumas referências da região onde tudo aconteceu.)

Olive Oatman

Chegando na tribo Mohave, as meninas foram acolhidas pela família de um dos chefes e passaram a ser cuidadas pela esposa e pelas filhas do chefe. A tribo em que estavam agora era bem mais próspera que a dos Yavapais e foram, inclusive, dados pedaços de terra para que as garotas pudessem cultivar. Foi aqui que, finalmente, as irmãs receberam suas tatuagens no queixo e nos braços, de acordo com os costumes indígenas!

Infelizmente, Ann Mary Oatman morreu de fome no ano seguinte, aos dez anos de idade, quando a região foi atingida por um grande período de seca, levando à falta de alimentos.

Quando Olive Oatman tinha 19 anos, um índio Yuma mensageiro chegou à vila dos Mohave com uma mensagem das autoridades do Forte Yuma. Havia rumores de que uma garota branca era mantida cativa pelos Mohave e o comandante do forte pedia que a libertassem, mandando, em troca, cavalos e cobertores. Contudo, a negociação foi inicialmente rejeitada pelos índios.

Olive Oatman

No final das contas, os índios acabaram cedendo e Olive foi escoltada numa viagem de vinte dias até o forte. Lá, ela foi recebida por muitas pessoas e logo descobriu que seu irmão, Lorenzo, sobreviveu ao ataque e ainda procurava por ela e pela irmã mais nova. O reencontro dos dois foi notícia em todos os jornais do país!

Em 1857, um pastor chamado Royal B. Stratton escreveu um livro sobre o caso Oatman que vendeu em torno de 30 mil cópias – os direitos pagos a Lorenzo e Olive foram o suficiente para pagar a faculdade dos irmãos! Olive entrou no circuito literário, dando palestras e entrevistas para ajudar a promover o livro. No entanto, sabe-se hoje que muito do que Stratton relata na obra não era verdade, mas fruto do exagero (ou, quem sabe, de uma estratégia para vender mais) da visão do pastor.

Olive Oatman

Olive e Lorenzo

Ao contrário do que conta o livro, nem Olive nem Mary Ann foram maltratadas pelos Mohave, nem suas tatuagens eram uma punição conferida pela tribo a seus escravos. Numa das palestras de Olive, ela disse que seu rosto foi tatuado para que fosse reconhecida pela tribo e, no caso de ser levada ou mesmo de fugir, poderia ser identificada e levada de volta aos Mohave, e todas as mulheres da tribo tinham o mesmo desenho tatuado. A ela os índios disseram que era livre e que poderia sair quando desejasse, mas que não seria acompanhada a nenhuma “vila branca” por ninguém, pois temiam uma retaliação quando chegassem, junto com ela, a um local governado pelos brancos.

Dizem que ela teve várias oportunidades de pedir “ajuda” a brancos que faziam negócios com os Mohave, mas nunca o fez. Quando chegou ao Forte Yuma, ela chorou por muito tempo e foi descrita como uma mulher triste e insatisfeita, que sempre desejou retornar à tribo.

Ela se casou, em novembro de 1865, com John B. Fairchild, que se tornou um próspero fazendeiro. O casal foi viver em Sherman, no Texas, e adotou uma garota a quem deram o nome de Mamie. Olive morreu de um ataque cardíaco, em 1903, aos 65 anos.

Uma cidade no Arizona foi nomeada como Oatman em sua homenagem. Atualmente, é uma cidade fantasma, que já foi conhecida por suas casas de jogos, e ainda recebe visitas de turistas.

Olive Oatman